O meu Blog

10. dez, 2017

Um projecto fotográfico 365 caracteriza-se em primeiro lugar pelo compromisso de realizar uma foto por dia durante o período de um ano. Para além desta principal característica, pode haver outras como englobar apenas um determinado tema, usar sempre um tipo de máquina ou lente, usar sempre o preto e branco, etc. Sejam quais forem as outras características, ao determiná-las estaremos a aumenta a dificuldade do projecto. Uma foto por dia sem interrupções, sem lamentações e sobretudo sem desculpas, não é um projecto fácil. Como exemplo posso referir que o anterior Project 111, possuidor de uma única componente que o dificultava, exigia apenas uma foto em cada três dias e, ainda assim, demorei cerca de ano e meio a completá-lo.

Na semana passada recebi dois convites quase em simultâneo para participar num desafio que consistia em publicar uma foto por dia durante sete dias. Aceitei e fui buscando cada dia uma nova foto que representasse de alguma forma um pedacinho da minha vivência. Terminada a publicação das sete fotos, dei comigo a pensar se não seria boa ideia continuar e abraçar um desafio bem mais longo, tal como algo que sempre desejei fazer. Um projecto fotográfico 365.

Como o ano de 2017 foi para mim fotograficamente fraco, resolvi presentear-me antecipadamente e arranjar uma carga de trabalhos para 2018, convicto de que serei capaz de o terminar atempadamente. Sei que não vai ser nada fácil, mas estou disposto a tentar.

Independentemente do resultado, a Vera Jesus e a Filipa Araújo são as duas principais responsáveis por me terem lançado o desafio inicial e eu, o único responsável por o ter aceitado.

 

1. nov, 2017

De uma forma geral, um retrato pede uma baixa profundidade de campo. Dito de outra forma, o rosto ou a pessoa em causa deve estar focada enquanto o fundo, o que se encontra por detrás do retratado, deve estar desfocado. Apesar de ser fundamentalmente uma questão de gosto, o facto é que quanto mais desfocado estiver o fundo, mais destacado ficará o modelo e mais a nossa atenção de concentrará nele. A questão é então saber quais os factores que influenciam um bom desfoque do fundo.

Há cinco factores fundamentais a ter em conta. A distância focal, a distância entre o modelo e a máquina, a abertura, a distância do modelo ao fundo e o tamanho do sensor.

Cada um destes parâmetros ajuda só por si no desfoque do fundo, conseguindo-se o efeito máximo quando os cinco estão presentes e conjuntamente controlados. Nem sempre será possível usar todos de uma vez devido a circunstâncias que não podemos dominar, mas ao conhecê-los estaremos preparados para usar os restantes e conseguir os melhores resultados. Vejamos cada um com um pouco mais de detalhe.

Distância focal: - Com uma lente grande angular é muito difícil de conseguir o desfoque do fundo. O efeito será tão mais pronunciado quanto maior for a distância focal, assim, se a máquina usada tiver zoom, use-o. Atenção que o zoom digital nas compactas e telemóveis não ajuda nada, o zoom que refiro é apenas o zoom óptico. A título de exemplo, 80mm é melhor de 30mm.

Distância entre a máquina e o modelo: - Quanto mais perto estiver do seu modelo, mais desfocado irá ficar o fundo. Neste caso, “perto” refere-se à distância física e não “aproximar-se” usando o zoom. A distância entre a máquina e o modelo deve ser a menor possível e de acordo com a distância focal usada para o enquadramento que se pretende.

Abertura da lente: - Se tiver controlo sobre a abertura da lente, o que nem sempre acontece no caso da maioria das compactas e telemóveis, o número f: (abertura), deve ser o mais baixo possível (numero f: baixo = maior abertura). Quanto maior a abertura, menor será a profundidade de campo e maior o desfoque do fundo. Como exemplo, um f:4 é melhor de um f:8.

Distância entre o modelo e o fundo: - Esta distância deve ser a maior possível, já que ficará mais desfocado um fundo que se encontre a 10 metros que um outro situado apenas a 1 metro de distância.

Tamanho do sensor: - Quanto maior for o sensor da sua máquina, maior o desfoque do fundo. Este parâmetro não é modificável a menos que tenha mais de uma câmara e possa escolher a que tiver um sensor maior. O sensor da maioria das reflex (maior tamanho) produzirá um desfoque mais pronunciado que a maioria das compactas (menor tamanho).

Saliento que estas regras não se aplicam apenas a retratos, podendo ser usadas em qualquer situação desde que se entenda conveniente desfocar o fundo, para dar mais ênfase ao nosso motivo. Para treino, sugiro que tentem com objectos mais pequenos, eles não se aborrecem com as nossas demoras ou hesitações e sobretudo, não nos mandam às “favas” se os resultados não saírem como o esperado.  

21. set, 2017

Quando o interesse pela fotografia aumenta e o fotógrafo começa a tentar fazer melhor, mais tarde ou mais cedo vai achar que os ficheiros saídos da sua máquina necessitam de pequenos ajustes. Reenquadrar, nivelar horizontes, ajustar a cor e o contraste ou tarefas mais complicadas como eliminar algo que não devia ter ficado na foto, são todos bons exemplos de ajustes que podem ser necessários. 

Se o interesse em melhorar o resultado final aumenta, é uma questão de tempo até entrar no mundo da edição de imagem. 

Sendo que o ideal é fazer bem à primeira e dentro da máquina, há situações em que a edição é necessária e até fundamental. E para uma boa edição, para se conseguir tirar o máximo partido de uma fotografia, o ficheiro em que se vai trabalhar deve conter o máximo de informação possível. Quando se trata de “o máximo de informação possível” o formato JPG não serve, é necessário saltar para o RAW. 

O RAW contém todos os dados lidos pelo sensor da câmara para cada pixel da imagem e os mesmos estão inalterados. Digamos que é uma gravação “por extenso” do que o sensor conseguiu captar. Do lado oposto, o omnipresente, versátil, leve e popular formato JPG, quando sai da máquina, só carrega parte da informação original, uma vez que já foi alterado pelos ajustes pré-definidos e comprimido para ficar mais leve.

O JPG tem como vantagens principais o facto de estar pronto a usar, ser rápido, lido de forma universal e usar pouco espaço de memória. Podemos considerar que o único defeito é desperdiçar uma enorme quantidade de informação que, já não pode ser recuperada.

O RAW tem como principal vantagem a quantidade de informação disponível para cada pixel. Como contras, gasta imensa memória, dá trabalho a processar, é mais lento (devido ao seu imenso volume) e não pode ser lido com softwares mais simples.

A opção entre cada um dos formatos é unicamente pessoal, há defensores suficientes para os dois.

Nota:

A imagem que ilustra este pequeno artigo é uma colagem de duas fotos, uma em formato JPG e uma em RAW. Saíram da mesma máquina e foram depois sujeitas ao mesmo tratamento. Abram a imagem para a visualizar melhor, creio que as diferenças serão evidentes.

 

21. mai, 2017

No final do projecto “Pinhole - Um passo atrás na técnica fotográfica” não tinha intenção de continuar a utilizar a pequena máquina de cartão e a minha passagem por este processo deveria ter ficado por ali. Contudo, apesar da decisão tomada havia um sentimento de perda, de desperdício de tempo e conhecimento. Não sentia que era hora de abandonar esta técnica, antes pelo contrário, ainda havia muito a fazer. 

Mais tarde, encontrei um conjunto de peças que se encaixavam perfeitamente numa máquina com os recursos perfeitos para usar este modo de fotografar e quem segue de perto a minha actividade, já verificou o reaparecimento da galeria “Pinhole”.

A fotografia estenopeica vai continuar a fazer parte da minha actividade e as alterações de hardware em relação às fotos anteriores, serão as seguintes:

- A máquina deixa de ser construída em cartolina e passa a ser uma Canon EOS300.

- A contagem do tempo deixa de ser feita pelo relógio de pulso ou mentalmente e passa a ser definida na velocidade de obturação da própria máquina (entre 1 e os 30 segundos).

- O obturador, deixa de ser controlado por um tampa em cartolina de difícil uso e passa a ser conseguido através de um comando Canon RS-60E3.

- O avanço da película, deixa de ser manual (e as vezes que me esqueci de a avançar) para passar a ser feita automaticamente após o fecho do obturador.

- O estenopo (furo “pinhole” por onde passa a luz), deixa de ser artesanalmente construído em chapa de uma lata de cerveja e passa a ser um “Olga HPL-C 0,25mm”.

 Os melhoramentos são vários mas, uma vez que o processo se mantém inalterado, os resultados serão exactamente os mesmos. O que varia então? A facilidade e a precisão com que alguma tarefas passam a ser feitas.

O primeiro rolo já está na máquina e as primeiras fotos experimentais já estão feitas, mas os resultados… esses ainda demorarão algum tempo a fazer-se visíveis.

 

2. abr, 2017

Em meados de 2015 assisti a um espectáculo nocturno onde vários artistas actuaram fortemente iluminados sobre um fundo totalmente escuro. Na assistência eram muitas as pessoas a fotografar, usando desde telemóveis a DSLR’s de alta gama. Perto de mim, uma senhora tentava desesperadamente fotografar recorrendo a uma compacta e o seu desespero era evidente tanto na forma como carregava no obturador como através do abanar de cabeça, desolado, enquanto via no visor da máquina o que tinha conseguido. Na traseira da câmara, obtinha SEMPRE um intenso borrão de luz sobre um fundo negro.

Não acreditei numa avaria da máquina, mas sim na certeza de estarem a ser usadas configurações para fotografia de paisagens, ruas e jardins onde a luz diurna está bem distribuída. Os mesmos parâmetros que noutros cenários se mostraram perfeitos, estavam naquele momento totalmente desadequados.

Na impossibilidade de usar o modo Manual, a solução mais óbvia passava por alterar a fotometria para “Pontual”.

Regra geral, a fotometria de uma compacta divide-se em três opções. Matricial, para condições de luz homogénea e onde toda a área de imagem é considerada. Ponderada ao centro, onde apesar de a medição ser feita em toda a área, é dada mais atenção à zona central. Pontual, em que apenas é considerado uma pequena porção no centro do ecrã.

Com a fotometria ajustada para pontual, ao focar sobre o artista em palco, está a dizer à sua máquina que é aquele o único ponto da foto que lhe interessa e é nele que ela se deve concentrar. Desta forma a máquina vai medir a luz apenas sobre o ponto indicado e ignorar tudo o resto. Neste caso, o resto já era escuro e assim iria continuar.

Esquecer a possibilidade de alterar o modo como a luz é medida deve ser o equivalente a esquecer que o seu carro possui marcha atrás. Já pensou na falta que a marcha atrás lhe faria?

A medição Pontual deve ser usada sempre que o motivo de interesse esteja iluminado de forma significativamente diferente do meio envolvente. O caso apresentado é extremo, mas extrema também é a necessidade de alteração da fotometria para obter os resultados desejados.

Boas fotos!