2. jul, 2016

Na hora "H"

No dia em que admiti a possibilidade de não conseguir um modelo para a conclusão do meu projecto, recebi uma mensagem de alguém disposto a ajudar-me. Renascida a esperança, comecei a acreditar que ainda seria possível seguir o plano inicial com um desvio mínimo e marcamos imediatamente uma pequena reunião para explicar o que pretendia sem deixar espaço a dúvidas nos papeis a desempenhar por cada uma das partes.

Acordo feito, data marcada, seguiu-se a hora dos preparativos. Melhorar o espaço disponível, escolher a iluminação, preparar fundos, máquinas, lentes, disparadores, reflectores, difusores, tripés, adereços e tudo o mais que pensamos e julgamos ser necessário.

Quando tudo parecia estar pronto, seguiram-se ainda uma série de testes e medições. Medir a luz disponível e pré-ajustar tudo o que foi possível, fazer alguns cálculos e anotar os resultados para simplificar trabalho e não perder na hora, o tempo precioso que precisava para fotografar. Depois de tudo pronto e ensaiado, bastou esperar pelo dia e hora marcada.

Por mais estranho que possa parecer e mesmo depois de tantos testes e ensaios efectuados, na hora “H” o fotómetro começou a dar-me leituras malucas. Tão malucas, que a guiar-me por elas poderia afirmar que tinha o Sol dentro do estúdio. Como uma verificação rápida pelas configurações não foi suficiente para detectar o problema, opto por arrumar o fotómetro e fazer as leitura com uma das máquinas, resolvendo assim o problema. Depois de transferidas as leituras para a máquina mais antiga que não possuía medição de luz, continuamos a sessão, mas por pouco tempo... agora era o flash que não conseguia perceber o momento do disparo da máquina.

Com o tempo a ser consumido em irritantes procuras de problemas... a solução foi arrumar a máquina em causa e seguir com os trabalhos usando o restante equipamento. Excluindo estes dois incidentes, tudo correu normalmente até ao final.

Como conclusão, fica a confirmação que confiar num único equipamento para um trabalho de responsabilidade é um teste à sua sorte e há sempre qualquer coisa que nos esquecemos de verificar ou que, apesar de tanto ensaio e preparativos, alguma coisa falha na pior hora. Um dia... calha-nos a nós.