O meu Blog

3. fev, 2019

Lomografia pode ser considerada uma sub-categoria dentro da fotografia. É uma espécie de movimento cuja principal característica assenta no uso de câmaras Lomo.

Tudo começou na Russia em 1982, quando foi ordenado à fábrica LOMO-PLC que criasse uma máquina pequena, resistente, fácil de usar e barata. Essa máquina deveria ser produzida em massa e espalhada por todo o país, com a finalidade de proporcionar a todas as famílias a possibilidade de registar o estilo de vida soviético.

Foi então criada a LOMO KOMPAKT AUTOMAT e com esta máquina russa, iniciou-se uma espécie de revolução fotográfica sem preocupações com as técnicas e os conhecimentos até então necessários.

A meados dos anos 90 a produção destas máquinas foi descontinuada e possivelmente aqui terminaria a resumida história das LOMO. No entanto, em 1991, dois jovens vienenses a passar férias em Praga descobriram e adquiriram uma máquina LOMO, que começaram logo a utilizar, fotografando a torto e a direito, sem qualquer preocupação com a técnica e muitas vezes, sem sequer olhar pelo visor. 

Ficaram de tal forma fascinados com os resultados obtidos que continuaram a fotografar usando o mesmo método e a divulgar os resultados pelos amigos. Em pouco tempo a moda das LOMO espalhou-se pela cidade e sem que tenha parado aí, difundiu-se um pouco por todo o mundo.

Em 1995 nasce em Viena a Sociedade Lomográfica, cuja actividade consistia em promover através de vendas e eventos culturais, a disseminação do valor artístico da Lomografia, assim como a criação do Lomo Word Archive que consiste num arquivo à escala mundial das fotografias dos lomógrafos de todo o mundo.

A arte de fotografar com uma LOMO consiste principalmente em fotografar ao acaso, sem encenação e de forma imprevisível.

A Lomografia não consiste apenas em fotografar com uma máquina LOMO, é também necessário ou, faz todo o sentido, seguir a filosofia LOMO e cumprir os seguintes 10 mandamentos.

- Leve a sua Lomo sempre consigo.

- Fotografe a qualquer hora, dia e noite.

- A Lomografia não interfere na sua vida, é parte dela.

- Fotografe sem olhar pelo visor, com muita luz ou pouca, desenvolva ideias.

- Aproxime-se ao máximo do objeto desejado.

- Não pense.

- Seja rápido.

- Você não precisa saber antecipadamente o que está a fotografar… Nem depois.

- Não se preocupe com as regras.

- Esqueça de tudo. Descubra sua própria maneira e comece a fotografar agora!

No site oficial www.lomography.com disponível em várias línguas, sem contar com o português, podemos encontrar muita informação sobre os mais variados aspectos desta actividade. Desde as câmaras e lentes até à filosofia, sem deixar de lado os tipos de filmehistória, múltiplos exemplos fotográficos e até os concursos.

preto e branco ou a cores, filme 35 ou 120 mm, formato normal ou panorâmico e até fotografia instantânea, tudo pode ser usado com as máquinas Lomo (cada uma na sua categoria). Para os mais afoitos e experimentadores há até uma máquina de baixo custo que pode ser montada pelo próprio.

Boas fotos!

19. ago, 2018

Sou um bocado despistado em relação a datas. No meu tempo de estudante era um problema fixar datas importantes e históricas que eram matéria de exame. Depois de muitas tentativas e “marranços” lá fixava uma ou outra, mas apenas o tempo suficiente para chegar ao teste. Por vezes nem lá chegavam. Por artes mágicas, aquele sector da memória onde guardava as datas, chegava à prova como que acabado de formatar. Completamente vazio.

Isto para dizer que tenho de anotar todas as datas importantes e cuja conveniência em não esquecer, é máxima. Contorno o problema com o uso de agendas e lembretes como a maioria das pessoas que conheço. Mesmo assim, acontece frequentemente ser lembrado de determinada celebração pelas redes sociais. Foi o que aconteceu no caso do dia mundial da fotografia que se celebra hoje, dia 19 de Agosto.

Depois de avisado, dei comigo a pensar no que já tinha feito fotograficamente neste dia. É sobre isso que hoje escrevo.

Levantei-me relativamente cedo e disposto a terminar dois rolos que tinha iniciados em duas máquina diferentes. Sim, hoje só fotografei em película. Saí para a rua com a velhinha Canon T60 com uma lente 50mm e foco exclusivamente manual, enquanto levava na mochila uma Canon EOS300V com a zoom 24-105 mm, ambas carregadas com película ILFORD FP4 PLUS 125.

Terminei rapidamente a película em falta da T60 com fotografias de rua na romaria d’Agonia e continuei depois com a EOS 300V com o mesmo tema, até consumir também toda a película. Objectivo concluído! 

Como ainda sobrava tempo e tinha levado um rolo de reserva, um ILFORD PANF PLUS 50, arranjei uma sombra e dispus-me a carregar novamente a EOS 300V e continuar a fotografar. Após retirar o rolo exposto e começar a bobinar a nova película, fiquei em alerta quando o contador marcou 40 fotos disponíveis onde só deveria ter 36. Logo de seguida o símbolo da bateria ficou intermitente. Bolas! Será que fiquei sem bateria? É possível, mas… 40 fotos? O rolo é de 36! Alguma coisa estava errada e era necessário abrir a máquina para verificar, coisa que não podia fazer debaixo de um sol tórrido de Agosto. Acabei por voltar para casa mais cedo que o esperado.

Uma vez na “câmara escura” mais propriamente numa casa de banho interior, com cuidados adicionais para que não entre luz por lado algum, abri a máquina e com todo o cuidado, tentei pelo tacto perceber se o filme tinha sido bobinado ou não. Sim, tinha, e o problema era ter-se desprendido do cartucho de origem, ou seja, no momento não havia forma de o puxar novamente para dentro. 

Fechei novamente o filme na máquina enquanto pensava numa solução, atendendo que precisava de sair da câmara escura e que pensaria melhor sob a luz do dia. Ocorreu-me então que do projecto Pinhole tinha guardado alguns cartuchos vazios para uma qualquer eventualidade. Se conseguisse prender e rebobinar o filme manualmente num desses, estava o problema resolvido.

Assim fiz. Desmontei um dos ditos cartuchos vazios, visualizei e memorizei previamente muito bem os movimentos que precisava fazer e depois, totalmente às escuras, abri a máquina, engatei o filme solto no carreto interior, introduzi o carreto com o filme preso no cartucho metálico e seguidamente, com paciência, enrolei manualmente toda a película sem esquecer de deixar a ponta de fora. Finalmente, apliquei a tampa que sela todo o conjunto, tornando-o estanque à luz.

Montei então o cartucho adaptado novamente na máquina, fechei a tampa e bobinei o filme. Desta vez, o contador parou nas 36 exposições disponíveis. Trabalho concluído com sucesso!

Amanhã, provavelmente, vou expor a totalidade do filme. 

Reconheço que não é uma grande história. Tem pouca acção, pouco suspense e ainda estou longe de ver as fotos que estão latentes nos dois rolos terminados. Por outro lado, superei com sucesso um pequeno percalço e considero que de uma forma muito positiva, celebrei dia da fotografia.

 

Significado de "Latente"

Imagem latente é uma imagem que foi gravada por um processo químico em chapa ou filme fotográfico sensibilizado pela ação da luz, e que só vem a ficar visível depois de revelada em um banho apropriado. (https://www.significados.com.br/latente/)



25. abr, 2018

O que é uma fotografia e o que é uma imagem? Quando é que uma fotografia deixa de ser fotografia e transforma-se em imagem? Se tem dúvidas sobre estas duas definições, então talvez encontre aqui a resposta.

Com alguma frequência sou assaltado por dúvidas sobre coisas que, em princípio, não deveriam ser motivo de preocupação. Coisas simples e sobre as quais não costumo pensar muito ou então, sobre as quais nunca tinha pensado antes. O facto é que a dúvida apareceu sem aviso e das minhas pesquisas, aqui descrevo um resumo das respostas encontradas.

Vamos começar por definir o que é uma imagem. Uma imagem é a representação visual de algo, como uma ou várias pessoas, animais, objectos ou paisagens. Uma imagem é tudo aquilo que represente visualmente qualquer coisa. Um desenho de uma paisagem é uma imagem, uma estátua é uma imagem, uma pintura é uma imagem, uma fotografia também é uma imagem, todas representam visualmente algo.

Verificamos então que dentro do termo abrangente “imagem” encaixam várias sub-categorias que definem a forma como cada uma é realizada. A escultura, o desenho, a pintura, a fotografia, etc.. Uma escultura é então a representação visual de algo, uma imagem de algo. Passa-se o mesmo no caso do desenho e da pintura, são processos diferentes que permitem mostrar algo, mesmo que esse algo seja uma ideia. No caso da fotografia a situação modifica-se um bocado, uma vez que não é possível fotografar directamente uma ideia mas, por outro lado, tem a particularidade de conseguir congelar o tempo (fotografia de alta velocidade) ou alongá-lo (longa exposição).

Agora vamos definir a fotografia. Fotografia é o nome dado a toda a técnica que permite a fixação de uma projecção da realidade usando para o efeito, uma câmara escura. Por outras palavras, é o nome dado à técnica capaz de fixar a realidade através de uma máquina fotográfica, independentemente de usar processos químicos ou electrónicos.

Chamo a a tenção para o facto de apenas as máquinas fotográficas usarem “câmara escura”. Os equipamentos que dão origem, por exemplo, a uma radiografia, um TAC ou uma ressonância magnética, não usam câmara escura, deles obtemos imagens e não fotografias. Da mesma forma, o processo de colocar objectos sobre papel sensível à luz e transferir uma cópia dos mesmos para o papel, não usa uma câmara escura, portanto não é uma fotografia. Simplificando, fotografia é o nome dado ao registo de uma imagem real, através de uma máquina fotográfica.

Até aqui tudo parece simples. Já vimos o que é uma imagem e o que é uma fotografia, mas… e quando uma fotografia se transforma em imagem?

Esta é uma pergunta de resposta muito controversa e não há um consenso tão alargado quanto seria desejável para uma resposta concreta. A ideia geral é que uma fotografia passa a ser apenas uma imagem (é despromovida) quando através da manipulação (realizada após a tomada da foto) o resultado deixa de ser igual ao momento da realidade captada.

Quanto ao tipo e à quantidade de manipulação realizada as opiniões dividem-se em duas correntes, “os puristas” e “os visuais”.

Os puristas defendem que qualquer manipulação, como seja a simples correcção de contraste ou melhoria de cor transforma uma fotografia em uma imagem. Para eles, tudo o que não seja o que a máquina captou é alterar a realidade.

Clonar algo, endireitar um horizonte ou corrigir uma perspectiva está fora de questão. Um HDR ou uma panorâmica obtida da junção de várias fotos também não são permitidas. Os puristas não admitem qualquer manipulação em pós-produção, contudo, o light painting, uma longa exposição ou um panning continuam a ser fotografias, atendendo que não sofram qualquer alteração.

Os visuais não são tão críticos. Para os visuais são permitidas todas as correcções possíveis e imagináveis desde que o resultado final mantenha o aspecto real. Por outras palavras, pode-se corrigir ou melhorar o contraste, as cores, as perspectivas, a inclinação e até retirar ou colocar algum elemento na fotografia. Em jeito de resumo simplista, se o resultado final parece real é uma fotografia, se não parece real, é uma imagem.

Os visuais aceitam o HDR o light painting, a longa exposição e as panorâmicas formadas por várias fotos, tudo encaixa na categoria de fotografia contando que o resultado pareça real.

Para os visuais, até é possível fotografar uma ideia.

16. fev, 2018

A falta de uma máquina fotográfica “decente” é motivo para não fotografar? 

Em primeiro lugar, a definição de “decente” é muito relativa. Para um profissional será obviamente uma máquina de alta gama, já que vive do seu trabalho. Por outro lado, para quem apenas fotografa por gosto, normalmente é o volume da carteira ou outras limitações que acabam por definir o quanto decente é o seu equipamento. Por aqui fica definido que a melhor máquina não é a que desejamos, mas a que podemos ter. 

Mais que comprovado está o facto de que não é o preço do equipamento que faz uma boa foto. E, uma “boa foto” é algo muito, mas mesmo muito subjectivo. Um dia perguntaram-me o que eu achava de uma determinada fotografia e eu, hesitante, tentei não responder. Como da outra parte houve repetida insistência, fiz uma análise cuidada e dei a minha opinião. Resultado, essa pessoa nunca mais me falou e eu depreendi que a foto em causa tinha mais valor para o autor que para mim, simples espectador, com total desconhecimento da carga afectiva que a dita carregava. Outro caso, é pensar naquelas fotos de um passado recente, que já só existem em papel e que quase todos teremos em casa, descoloridas e riscadas, guardadas algures numa caixa ou num álbum poeirento. Olhem para elas criticamente. Uma grande maioria terá uma composição péssima, cores totalmente alteradas pelo tempo, desfocadas e com uma resolução deplorável, mas… essas fotos, esses ecos desbotados do passado, dizem-nos tanto que as guardamos e mantemos com cuidado. 

Dito isto, uma foto tem o valor que lhe damos e não é pela altíssima resolução ou cores imaculadas, produzida por um equipamento de topo, que uma imagem tem mais valor que outra feita com recurso a uma máquina mais simples e de inferiores características. Considero ter comigo um excelente exemplo, já que a minha melhor foto foi feita pela pior máquina que até hoje tive acesso. 

Nem sempre pensei assim, mas a experiência ensinou-me. Dizer que não se fotografa porque não se tem uma boa máquina, é sinónimo de uma má desculpa. 

26. jan, 2018

Defendo que antes de começar um trabalho, seja ele qual for, devo primeiramente organizar algumas ideias acerca de como conseguir os melhores resultados. Algumas ideias são sempre melhores que nenhuma e nesse sentido, durante uma pequena pesquisa a propósito de fotografia de rua, dei por mim a anotar alguns conceitos que me pareceram suficientemente interessantes para mais tarde utilizar. Não é uma lista extensa nem abarca a maioria das técnicas ou filosofias deste tipo de fotografia, são apenas alguns tópicos para me orientar e que partilho para ajudar quem possa estar também interessado. Vejamos então os tópicos anotados: 

- Seja qual for o assunto, a fotografia de rua deve mostrar o dia-a-dia das pessoas e da sociedade. Se conseguir além do registo do momento, capturar histórias, almas e humanidade, tanto melhor. 

- Fotografia de rua, não tem de ser exactamente na rua, qualquer lugar público, dentro ou fora de um edifício, dentro ou fora das áreas urbanas, contando que haja actividade humana, é perfeito para este exercício. 

- Nem sempre é necessário focar alguém. Qualquer coisa que indique a presença humana e possa contar alguma história é igualmente válido.  

- Porque as pessoas tendem a comportar-se de forma diferente quando descobrem que estão a ser fotografadas, o fotógrafo deve tentar manter-se sem ser visto e apanhar as pessoas desprevenidas. Não olhar as pessoas de frente é uma táctica usada por muitos fotógrafos.  

- Deve ser rápido para aproveitar o momento. Os modos semiautomáticos são os mais indicados para este género de fotografia e não pense muito, reaja ao que lhe despertar interesse. 

- Seja original. Fotografe para si e não para agradar a terceiros. 

Como referi no início, esta pequena lista é o resultado de uma pesquisa, pelo que não exprime a minha preferência ou opinião sobre o assunto. Na verdade, sempre aprendemos algo com o saber fazer de pessoas que tem interesses parecidos com os nossos.